
Prá que tive família?
Bastava minha mãe para me parir.
Deitar em seu colo e sentir seu peito vibrante.
Prá que ter irmãos?
Todos se foram, com a morte ou ausência.
Irmãs, de há muito seus mundos formaram.
E meu irmãos?
Sumiram como nuvem defumada onde o cheiro não pude sentir?
Primos, primas, outros consanguíneos...
Esta casta de meu mundo pouco se fez!
E os amigos?
No trabalho, no baralho, no football, na escola, no puteiro, nas andanças, cadê?
Todos tomaram seu rumos, trilhas, formaram famílias, cometerem crimes e genialidades.
Muitos estão escondidos em cantos que nem sempre são encantados.
Não podemos querer nem planejar muita coisa. A vida é a vida !
Queria reuni-los numa távola redonda e erguer espadas e honrar o novo encontro,
Talvez sem precisar honrar o rei ou o império - defender o reencontro.
Onde estão as crianças?
Perdidas em matos de espinhos?
Escondidas em labirintos, sem apitos para localizá-las.
Achem as crianças, façam-nas voltar a convivência dos pais.
Elas estão perdidas. Jogadas entre graxas, argamassas, presas pela solidão.
Libertem nossas joviais crianças em suas procuras por um novo porvir.
Não mudem elas, de amor precisa viver para que não precisemos entristecer.
Agora as crianças, um dia irmãos.
Um dia os amigos, artifícios da vida.
Perdemos pais, tias e tios.
Bolas e olho de sogra.
Fontes que foram cristalinas.
Mares que se vão e retornam.
Lamento minhas retinas não serem as mesmas.
Possivelmente nos reuníssemos e não haveria:
Irmãos, irmãs, amigos, primos ou algum tipo de primazia,
seriam todos unicelular e jamais teria que isto escrever.
Mas o mundo não é assim.
Pergunto:
Aonde todos eles estão?
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