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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Um dia.




Devíamos sair por esse mundão a fora, sem desforras, lutando sem agruras tão dolorosas..
Podíamos andar por esse cantos em encantos em desculpas pedir.
Sentaríamos nas calçadas e damas cafés por oferecer.
Petiscaríamos o agradável sabor dum pastel de jasmim.
Daríamos boa noite aos que por ventura ao nosso lado viesse acomodar-se.
Gentilmente o garçom viria e nós educadamente faríamos o entardecer.
Sempre um piano teclando composições aos ouvidos quase adormecer.
Toalhas tão branquinhas e engomadas nesta noite por nascer.
Vinho suave em taças de cristal tcheco, derramando a parreira da vida.
Dezenas de vozes se confundiam, falando de amor e do vento arejante, calmante aos corações.
Mãos se tocavam, bocas se esquentavam, presentes por enlouquecer.
Perdido nos olhares alheios, mas respeitosos, neste meio da noite - amantes se procuravam.
Logo alguém pedia para dar uma palhinha e cantava "All The Way", um show inesperado.
Velas transpiravam, provocando clarões repentinos e extasiantes nesta branda noite.
Inopina surgia uma voz mágica do fundo do palco e só taças em mãos se erguiam.
Piano, boa voz, bom vinho, calmaria, retinas que acendiam como lampiões em chama.
Neste palco não cabia os desatinos da vida.
Casais iniciaram suas danças e andanças por um beijo mais ardente roubar.
Naturalmente que conquistas provocadas pelo vinho ascendente era de se esperar.
O mar repentinamente mostrava sua pujância e nos ofertava o seu cheiro de maresia inconfundível.
Casais chegavam e amantes desapareciam como um passe de mágica.
A noite estava linda, convidativa, entorpecedora.
Silhuetas da lua causavam flashs o que por diversas vezes inibia os apaixonados.
Noite que se alvoraçava no retardo do tempo e na sua bela magnitude.
Assim ela foi passando.
Feito criança que não que parar de brincar.
Como uma mãe que amamenta o seu filho, trazendo alimento e calor.
Raios solares adentravam no ambiente e poucos perceberam.
Mesas parcialmente vazias.
Últimas doses por se encerrar.
Gravatas sobrepostas nas cadeiras de fino vinil.
Sapatos já enfiados no médio e indicador.
Mesmo com a mudança de tantos aspectos e comportamentos, predominava o respeito e fuga.
Agora a Taberna está quase vazia.
Tampou-se o piano.
O cansaço lidera os desejos, sonhos e emoções.
Todos se foram sem hostilidades ou desentendimentos.
Não importa se partiram.
Foi uma noite maravilhosa.
Que a paz os leve e amanhã a vida possa promover espetáculos como este.

Boa noite !
Melhor: Bom dia!




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