Solidão, amarga amiga.
Que tanto me faz pensar.
Encarcera meu desejos.
Sufoca minha alma.
Nada ou pouco me faz lembrar.
Solidão, triste companheira.
Magoa meu peito e me faz calar.
Rouba meus desejos.
Faz-me um ser a quase fragmentar.
Pouco lhe entendo se não me deixas amar.
Solidão, quando vens com loucuras.
Pouco posso fazer, preciso aflorar.
Usar o cálice do veneno e suportar.
Inimiga de muitas noites.
Amiga do medo da noite.
Solidão, estivestes afastada.
Hoje abastada.
Nesse quarto queres me alucinar.
Suporto-a calado sem reclamar.
Vida estranha, solidão e o mar.
Solidão, quando me arrefeces.
Tenho medo de me magoar.
Falta carinho.
Vem o espinho.
Não me deixe sangrar.
Solidão, calma amiga.
Todos estão por multidões procurar.
Prefiro o silêncio e vozes ocultas do ar.
Nada me cobras, sabes que devo me calar.
Esperar o momento do grito para voltar a voar.
Solidão, vc. não tem tempo.
Estais sempre a me rodear.
Existem até os que me estimulam.
Mas pouco adianta - devo me encontrar.
Palavras agora pouco importam - fico recluso e não quero incomodar.
Solidão, poucos me amam.
Prefiro até pouco amar.
Não posso corresponder.
Seria pior.
A solidão teria que evitar.
E como não fui solitário...
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