
Queria vê seu corpo nu.
Escondido entre cachoeiras.
Água fluindo e encobertando seu corpo.
Você por sair.
Vir para meus olhos brilharem.
Desnuda - em carne e osso.
Corpo sedoso, cabelos ainda por molhar.
Estufaria seu dorso em mergulho maior.
Observaria todos instantes.
Não poderia perder este instante de fé.
Acreditaria nas suas ondulações, pingos espraiando-se, formando seu corpo em chantilly,
Espuma tão pura que ofuscava este momento de espreita.
Nadava sem perceber minha curiosidade.
Feita em prata, pele em nata, feito novilha de prazer.
Perfeito esconderijo entre o homem e a mulher.
Rochas te aguardavam para seu corpo se deliciar.
Escorregava como limo.
Lindo corpo de mulher.
Cisne de prata - por horas a cachoeira era sua mulher pueril.
Omitia-me entre arbustos, lógico para observar seu busto.
Rósea, firme, simétrico, pintado em telas sem borrões.
Sempre na espreita do seu novo aparecer.
Tempo passando, tarde caindo, agonia em observar sua partida, retirada, sei lá...
Algo me dizia que já ias.
Cachoeira a cada momento mais transbordante, alucinante pelo seu ser.
Menina malena, emancipada, só naquele canto remoto, observante.
Queda d'agua lhe chama, este corpo em chama de água e mulher.
Nada mais posso fazer.
Talvez volte amanhã.
Contemplarei seus lindos cabelos encharcados encobrindo suas nádegas.
Manto que deslize mais uma vez no pico da minhas pupilas.
Ávido por seu rodopio, procurando definir o design do seu corpo.
Omissão ventral era o que me restava.
Meio miragem, meio saudade, meio quero lhe perceber.
Hoje tento retornar a tal cachoeira.
Mudou de lugar.
Transferiu-se.
Que falta de consideração, nem uma pista me deste.
Possivelmente ela soubesse dos meus olhares curiosos.
Verdadeiramente não queria tocá-la. Observar. Observar.
Era tão bela, tão perfeita que não estava preparado para sentir o seu cheiro.
Nem sei seu nome, claro.
Suas origens.
Seu chalé.
Ficarei aqui no mato, feito gato do mato, intrépido.
Agora finalmente ela se foi e com seu encanto a cachoeira.
Mas vou esperar. Quem espera quase sempre alcança.
Ficou a flor de lótus que desprendeu-se do seu jardim de ilusão.
Agora ela definitivamente se foi.
Não chorei.
Muito menos delirei.
Ela voltou e estamos juntinhos entre as folhagens desta floresta de sonhos.
Seu nome?
Nunca perguntei - fadas não tem nome.
Flutuam entre nossas emoções.
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