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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Livre pensar.





Novamente sinto saudades do sertão, daquela solidão e das noites sem fim.
Das coisas que nem percebi.
Do pássaro voante sem ser albatroz.
Das sementes passeantes no rio e peixes foi-se a comer.
Bromélias vivantes que ontem fui incapaz de vivenciar.
Dos úmbus amadurecidos que despencaram ao solo e nova vida nascer.
Da caça apodrecida para novas espécies sobreviver.
Da fumaça cortinada que apagava qualquer imagem na varanda por não vê.
Da querida palma espinhenta que disseminava para o gado crescer.
Cupinzeiros que edificavam-se como aquela surprêsa que nos faz estremecer.
Formigueiros aos montes na saga constante desde o amanhecer.
Noites insurgentes dum brilho indescritível.
É...na imensidão do sertão a lua e duma amplitude macroscópica.
O surgimento do sol, galos cantando, galinhas ciscando, orquestra e seus maestros.
O sertão é lindo, absolutamente lindo.
Cachorro rodopia na mordedura dos seus rabos por moscas atazanantes.
Vaqueiro vigia.
Mulheres lavam louças.
Crianças brincam na areia ou manuseiam coisa qualquer.
Cisternas em limo na espera da chuva cair.
Cabras e bodes perambulam e tudo podem comer.
Fumaça depura-se do fogão de lenha e madeiras por queimar.
Vassoura de palha, amarrada por cipós varrem o quintal das folhas que caíram.
Sol vai esquentando, esquentando...desidratando.
Correr e cai no rio é a solução.
Logo chega a noite e o silêncio abraça o lugarejo, fim de mundo.
Invariavelmente os sapos se apresentam na varanda na cata por insetos aos milhares.
Esquecer do louva-deus seria uma tolice, vê-lo é uma descoberta arqueológica.
Assim vai o sertão, dia após dia.
Mistérios dos caburés, cantos de difícil  identificação, friozinho maravilhoso.
Todos aos poucos vão se recolhendo entre cobertas velhinhas, costuradas pelo esgarço.
Amanhã tudo será novo, por mais que não percebamos.
Talvez o café esteja com o mesmo cheiro.
Mas a galinha porá um novo ser.
A vaca manhosa será fertilizada.
O rio terá enchido.
O sol causticará nossas suturas com mais intensidade.
Enfim...transformações deste magnífico bioma.
Fauna e flora em perfeita harmonia.
Nós é que na verdade precisamos observar nossas mudanças em prol do sertão.

Saudades do sertão, infelizmente aos poucos esquecendo o que vivi.

Fase, fase...


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