
Sei que não sou originariamente do mato.
Mas sinto de fato os meus laços por ele amarrar.
Admiro sua vastidão por perder de vista.
Em galopes coisas pude descobrir.
Nas manhãs de frio umbuzeiros resistentes.
Inabalável pau de rato que nem a seca pode perecer.
Casebres isolados como mágica surgiam ao desconhecer.
Sei que não sou realmente do mato.
Mas como o sertanejo não aceito desacato.
Prefiro o café em caneca esmaltada - sentado no toco para o corpo aquecer.
Aprecio as conversas daquelas bandas ao invés do inaudível do lado de cá.
Gosto de vê o cavalo selado, vaqueiro calado ao rebanho conduzir.
Sentava na varanda na curiosidade das conversas por muito aprender.
Mostrava minha ignorância nos vôos das aves em caças por sobreviver.
Sei que pouco sei do mato.
Suas crendices, banhos de folhas e curas que pouco podia entender.
Longevidade é coisa que merecia respeito e bença tinha que haver.
Ficava encantado com as varrições dos terreiros por vassouras artesanalmente criadas por elas.
Impossível esquecer o fogão de barro aquecidos por lenhas que machados lascavam ao amanhecer.
Nele fervia-se o leite, fazia-se doce de leite e aspirava-se fumaça em doenças promover.
Cuscuz na mesa não faltava e quando possível ovos em banhas podia se ter.
Sei que muito andei no mato.
Nadava no rio, bromélias naturalmente davam um toque especial ao meu flutuar.
Subia barrancos, rochas reduto das peçonhentas enfrentava e cabeças de frade brindavam manhãs.
Por vezes tartarugas nos brindavam em suas locas em profundidade.
Cuidado com os caramujos tínhamos que tomar. Esquistossomose !
Um verdadeiro paraíso particular e certamente pouco explorado.
Crianças brincavam e brindavam sem ter com o que se preocupar.
Sei que é difícil neste mato morar.
Precisamos de resignação e pedir a Deus que mande água na esperança do sertão brotar.
O sol é causticante, a noite friolenta, a chuva esqueceu daquele lugar.
Tudo é terrivelmente contrário para uma vida digna por habitar.
Sou apaixonado por noites que minhas retinas foram capazes de alcançar.
É preciso um esforço incomensurável para resistir os intempéries deste lugar.
Seu moço e Dona Sinhá, posso até não ser deste lugar; mas tenho muito respeito por vcs. que habitam nesta estepe que da minha memória não vou sepultar.
O sertão é uma questão de políticas públicas e auto-sustentabilidade !!!
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