Queria voltar pru sertão.
Rocha formosa sem hidrólise.
Olhar sua paisagem cheia de vida a qual não vemos passar.
Observar suas casinhas em cantos de martirizar.
Inspirar o barro que passa por lá.
A criança com sua mãe aos prantos em quase mendigar.
Queria voltar.
Falar com Chico e Negão deles me aproximar.
Beber água barrenta e a sede saciar.
Comer uma talisca do bode que ficou para os alimentar.
Rapadura tão dura escondida em qualquer lugar.
Queria voltar.
Pedir a benção das benditas resadeiras prus males espantar.
Ouvir tantas histórias e nos batentes me confortar.
Sentir o iminente frio da noite e me acobertar.
O corpo da morena queimado - daquele sol de lascar.
Como queria voltar.
Comprar beiju na feira só pra dizer que é de lá.
Sentar na pracinha só para observar.
Mascates com suas quinquilharias - mestres no negociar.
Cabras, bodes, pulseiras e relógios ao tempo controlar.
O circo que se arma com suas lonas a bailar.
Crianças na expectativa para noite chegar.
A mulher de barba e o palhaço são artistas a vos aguçar..
Na verdade eu queria voltar.
Encontrar o rio transbordante como a enchente do mar.
Verdes campinas, mato crescente, menino valente, sorriso no ar.
Gado bem gordo ao leite espirrar.
Jovens na escola podendo estudar.
Sertanejas no campo em cantigas entoar.
Assim a justiça seria feita e lágrimas iriam calar.
Urge o compromisso de viabilizarmos o semi-árido - água.
Mas ele continua sendo acima de tudo um FORTE !


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