


Falta de educação em Abaré-Bahia.
"Os filhos do Coronel"
O abandono, a hipocrisia, os desmandos, o sofrimento...
A opressão das botas...enquanto crianças são obrigadas a estudar em barracos de barro, sem luz, água...
Alunos amontoados em casebres de lona...
Aulas interrompidas pela entrada de animais...
A indústria da seca e da perpetuação do poder...
A sentença social: A condenação ao não futuro...
- Chamada do jornalismo investigativo do programa Conexão Repórter - Sr.Roberto Cabrini.
.............................................................................................................................................
Coronelismo, ainda em Abaré.
Nesta quinta-feira, tive o dissabor de constatar, coisa que já sabia, como são tratados, vilipendiados os milhares de jovens, crianças...ávidos em aprender as primeiras letras do alfabeto.
Desenvolvimento com justiça social é o lema da prefeitura deste município a 600 kms da capital na mesorregião do vale do São Francisco.
O conceituado jornalista do SBT com sua forma peculiar de enfrentamento in loco, tratou basicamente do descaso, miséria, apunhalamento da educação por crápulas deste sertão a fora.
Nossos queridos e humildes sertanejos, trancafiados em casas de taipa, suportando temperaturas de até 40º centígrados, misturados entre cabras, bodes, porcos, galinhas, quando existentes, mortos de sede, iluminados pela natureza, pouco alfabetizados, contando com a boa vontade do professorado, tendo por muitas vezes o seu primeiro desjejum neste ambiente lampiresco - vão caminhando sem saber o que o futuro lhes reserva.
Enquanto isso, seus irmãos pré-adolescentes se dirigem à cidade propriamente dita, embarcando em inseguras "lanchas", prestes a afundar, visando o conhecimento nas escolas municipais que reúnem inversamente as condições que a sua infância não proporcionou.
Longe do perigo da ignorância, perto da possibilidade do afogamento!
Vamos esquecer por um tempo do ambiente inóspito que aquelas crianças convivem no dia a dia - enfocando a lancha escolar, repousante no quintal do Secretário de Administração de Abaré, ex-prefeito,
alijado de novos pleitos em virtude de ter suas contas rechaçadas pelo Tribunal de Contas.
Devemos salientar que a lancha em repouso, reúne as condições ideais para o transporte dos estudantes que residem nas localidades aonde o diabo perdeu as botas, botas estas que calçam os pés destes crápulas, lhes
dando o direito de coices com seus calcâneos agredir os desfavorecidos.
O que faz aquela segura lancha escolar no quintal do Sr.Delísio?
O que este Senhor faz com os 17 mil reais que recebe mensalmente para operar o equipamento?
Quem vai ressuscitar, caso ocorra um desastre, aqueles alunos que navegam em lanchas sucateadas?
A matéria exibida no Conexão Repórter, sinaliza os perigos que podem estar distante dos nossos olhos, não das câmeras deste aguçado jornalista.
Fica o alerta ao MP., fiel aliado da população.
Não já basta a estiagem devastante e implacável, criando bolsões de miséria neste semi-árido tão sofrido!?
Lembro que muitas vezes pude observar as péssimas condições que a Prefeitura transportava alunos em Paus de Arara no sertão de Queimadas-Bahia, e como dizia Cora Coralina: Nossos alunos só levam no bolso um lápis e esperança no coração.
Por isso peço ao vento: Calmaria no São Francisco.
Quanto ao Pau de Arara: Hoje não sei...
Pau de arara (transporte), forma de transporte irregular, usado sobretudo na região Nordeste do Brasil.
Tony Almeida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário