Hoje perdi um amigo. Coincidentemente meu xará: César.
Coisas inexplicáveis são inexplicáveis.
Dócil, educado, sincero, receptivo, calado, fino, budista.
Não sei o por quê do suicídio.
Abracei sua esposa e ela sussurrou: não entendi.
Difícil entender o rompimento com a vida.
Foi uma dolorosa forma de não entender a mente humana.
Suturas, calotas, divisões, anatoencefalografias são do desentendimento humano.
Existem fatores emocionais que independem da anatomia para definirmos o morrer.
Fiquei triste sem soluçar por tal perda.
Mas como ele era nobre. Fumávamos juntos. Até nisto era plausível.
Amanhã o universo levará sua alma, seu corpo e espírito. Como todos!
Uns o sentimento de perda serão irrecuperáveis.
Outros serão trocados como figurinhas de gibi.
O ser humano ainda não aprendeu a importância da perda do ente querido.
Culturas diversas dão a sua valorização.
Morrer não é sinônimo de valoração; morrer é um processo natural e devemos aceitar.
Falar do César é pouco falar, ele era tão calado.
O que existia no seu âmago só ele seria capaz de explicar.
Mas ninguém entre nós budistas foi capaz de perceber ou inquirir!
Sempre perguntei a Sra.Exdra, cadê meu amigo?
Clássica resposta: Tá no subúrbio em sua doutrinação.
Quando não isso, trabalhando, trabalhando...
Atino para os conceitos psiquiátricos, regras, protocolos insurgentes e suicídio não tem parâmetro.
Nesse aspecto a ciência em suas precariedades não dispõe deste sinalizador.
Óbito (death) não importa se em Kualalanpour ou encovado numa rastejante estepe.
Talvez queimado no rio Ganghis, comível em rituais astecas, adornando os maias.
Morrer é morrer.
Choro. Lágrimas. O não saber. Sofrimento passageiro. Alivio. Inesquecimento..
Sei que perdemos uma grata persona.
Não sei por que os perdemos.
Ele quero encontrar. Abraçar e fumarmos o Derby branco dele e o meu qualquer um.
Não somos capazes de entender. Ficamos tergiversando.
Quero que vc. vá em paz.
E vamos continuar fumando e olhando um para o outro sem frescuras, mas com a doçura do ser.
Um grande beijo César.
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