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sábado, 21 de setembro de 2013

É bom que todos saibam.

QUERIDOS MEMBROS DO CAPS.  Maio/2013

Ouço Coldplay como poderia estar educando meus sentidos com a violinista Sarah Chang (uma jóia chinesa) o que certamente me transportaria a maio de 2010 no centro de recuperação Vindeamim / Cia-S.Filho, com mais leveza pela própria indução e educação que cordas maravilhosamente desenvoltas poderiam proporcionar ao tema abaixo descrito.
Neste local o que mais se aproximava da grandiosidade desta banda e Sra.Chang, era sem dúvida o beija flor que todas as manhãs fazia uma visita pontual antes de tomarmos a primeira refeição, consistindo em café com cuscuz o qual adorava e nunca resmunguei. Colibri ou beija-flor,aves apodiformes são especiais e durante todo período que lá estive – foram amigas inseparáveis do meu globo ocular.Terapêutica e fiel.
Enfatizo esta primeira atividade matinal (06:15) por não perceber durante todo o período de estadia, nada que despertasse a minha atenção que não fosse as suas idas e vindas na procura de água e alimento.Ainda podendo observar suas peripécias que me encantavam e criavam um clima de intimidade e pensar.Jamais esquecerei daquelas manhãs frias e coloridas por aves tão singelas.
Por se tratar de um sítio as atividades eram distribuídas equitativamente pelos 25 adictos que lá conviviam num relativo clima de harmonia o que não é nada fácil tratando-se de pessoas com os mais variados vícios, porém sem o devido aparelhamento clínico, psicoterapêutico, laborativo e vivendo exclusivamente de doações e benevolência da igreja do pastor Byrne e seu fiel administrador o Sr.Josemar, exemplos de altruísmo e amor ao próximo, não percebendo durante todo período nenhum tipo de discriminação ou protecionismo.
O que mais me chocava era presenciar o retorno em pouquíssimos dias daqueles internos que infelizmente ao serem liberados do período previsto (06 meses), não venciam em sua totalidade a abstinência ou reduziam minimamente os danos causados por uma substância avassaladora e, os medicamentos na sua maioria a base de benzodiazepínicos ou estabilizador dos neurotransmissores perdiam a guerra contra o maldito crack.
Imaginemos clínicas como A Betty Ford Center na Califórnia que custa R$44 mil por mês para desintoxicar celebridades, nem sempre vence por completo a luta contra tal substância. Observamos então o quanto temos que ser hercúlios, pacientes, doutrinadores, confiantes, determinados, inovadores – mesmo que os parcos recursos governamentais cheguem às nossas mãos, possamos alertar a sociedade que toda ela é responsável por esta doença crônica.
Voltando ao centro Vindeamim, quero registrar o meu apreço e carinho por todos que dividiram o alimento, a cama, emprestaram uma pasta dental, malharam comigo em equipamentos improvisados, se prestaram a mover as peças do xadrez, não incomodaram quando lendo estava, davam um bom dia/boa noite, sorriam e poucas lágrimas pude vê.Enfim...são todos vitoriosos pois nas suas fragilidades morais ou orgânicas em nenhum instante ameaçaram minha vida ou desrespeitaram o meu silêncio e minhas lágrimas ocultas.
Não me atreveria a dizer aos coordenadores do CAPS que, R$44 mil reais seja a solução preliminar para reintegrar cidadãos e zumbis que perambulam pelas noites da nossa cidade, estado, País na procura de latinhas recicláveis, papelões ou qualquer objeto que possa satisfazer seus desejos por esta terrível “DROGA”, mas precisamos urgentemente cuidar, criar centros que eduquem crianças, jovens e idosos que são acima de tudo pessoas e pessoas precisam de fortalezas que possam protegê-los desde o seu primeiro respirar.
Utopia? Não!
Formemos novos craques, para que amanhã não tenhas o seu filho senão envolvido com esta praga, não precise esconder-se em suas masmorras e nem do calabouço ouçam o seu gritar por socorro.
Investimentos devem ser feitos com muita urgência e bem definidos para que mais uma vez o eleitor e seus entes queridos possam orgulhar-se da seriedade inadiável que os adictos necessitam. 

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