QUERIDOS MEMBROS
DO CAPS.
Maio/2013
Ouço
Coldplay como poderia estar educando meus sentidos com a violinista Sarah Chang
(uma jóia chinesa) o que certamente me transportaria a maio de 2010 no centro
de recuperação Vindeamim / Cia-S.Filho, com mais leveza pela própria indução e
educação que cordas maravilhosamente desenvoltas poderiam proporcionar ao tema
abaixo descrito.
Neste
local o que mais se aproximava da grandiosidade desta banda e Sra.Chang, era
sem dúvida o beija flor que todas as manhãs fazia uma visita pontual antes de
tomarmos a primeira refeição, consistindo em café com cuscuz o qual adorava e
nunca resmunguei. Colibri ou beija-flor,aves apodiformes são especiais e
durante todo período que lá estive – foram amigas inseparáveis do meu globo
ocular.Terapêutica e fiel.
Enfatizo
esta primeira atividade matinal (06:15) por não perceber durante todo o período
de estadia, nada que despertasse a minha atenção que não fosse as suas idas e
vindas na procura de água e alimento.Ainda podendo observar suas peripécias que
me encantavam e criavam um clima de intimidade e pensar.Jamais esquecerei
daquelas manhãs frias e coloridas por aves tão singelas.
Por
se tratar de um sítio as atividades eram distribuídas equitativamente pelos 25
adictos que lá conviviam num relativo clima de harmonia o que não é nada fácil
tratando-se de pessoas com os mais variados vícios, porém sem o devido
aparelhamento clínico, psicoterapêutico, laborativo e vivendo exclusivamente de
doações e benevolência da igreja do pastor Byrne e seu fiel administrador o
Sr.Josemar, exemplos de altruísmo e amor ao próximo, não percebendo durante
todo período nenhum tipo de discriminação ou protecionismo.
O
que mais me chocava era presenciar o retorno em pouquíssimos dias daqueles
internos que infelizmente ao serem liberados do período previsto (06 meses),
não venciam em sua totalidade a abstinência ou reduziam minimamente os danos
causados por uma substância avassaladora e, os medicamentos na sua maioria a
base de benzodiazepínicos ou estabilizador dos neurotransmissores perdiam a
guerra contra o maldito crack.
Imaginemos
clínicas como A Betty Ford Center na Califórnia que custa R$44 mil por mês para
desintoxicar celebridades, nem sempre vence por completo a luta contra tal
substância. Observamos então o quanto temos que ser hercúlios, pacientes,
doutrinadores, confiantes, determinados, inovadores – mesmo que os parcos
recursos governamentais cheguem às nossas mãos, possamos alertar a sociedade
que toda ela é responsável por esta doença crônica.
Voltando
ao centro Vindeamim, quero registrar o meu apreço e carinho por todos que
dividiram o alimento, a cama, emprestaram uma pasta dental, malharam comigo em
equipamentos improvisados, se prestaram a mover as peças do xadrez, não
incomodaram quando lendo estava, davam um bom dia/boa noite, sorriam e poucas
lágrimas pude vê.Enfim...são todos vitoriosos pois nas suas fragilidades morais
ou orgânicas em nenhum instante ameaçaram minha vida ou desrespeitaram o meu
silêncio e minhas lágrimas ocultas.
Não
me atreveria a dizer aos coordenadores do CAPS que, R$44 mil reais seja a
solução preliminar para reintegrar cidadãos e zumbis que perambulam pelas
noites da nossa cidade, estado, País na procura de latinhas recicláveis, papelões
ou qualquer objeto que possa satisfazer seus desejos por esta terrível “DROGA”,
mas precisamos urgentemente cuidar, criar centros que eduquem crianças, jovens
e idosos que são acima de tudo pessoas e pessoas precisam de fortalezas que
possam protegê-los desde o seu primeiro respirar.
Utopia?
Não!
Formemos
novos craques, para que amanhã não tenhas o seu filho senão envolvido com esta
praga, não precise esconder-se em suas masmorras e nem do calabouço ouçam o seu
gritar por socorro.
Investimentos
devem ser feitos com muita urgência e bem definidos para que mais uma vez o
eleitor e seus entes queridos possam orgulhar-se da seriedade inadiável que os
adictos necessitam.
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