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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Só Dali.

Salvador Dalí.  A Persistência da Memória.  1931

A Persistência da Memória - Salvador Dali

MOON
Cheguei em casa, tinha ido comprar pão.
Adoro pão!
Olhei para cima e espantei-me.
Que lua, maravilha da noite.
Imóvel.
Abri a varanda para contastar.
Borda bordada num vermelho único.
Natural obra de arte.
Pintada por pincéis da infantilidade.
Talvez na loucura do gênio.
Dimensão alcançável no desvairamento de Dali.
Possível vê-la na magia de olhares cerrados.
Não sei bem o que dizer desta lua presente.
Seu interior formava imagens de negras arteríolas.
Ofuscou-me.
Alternadamente saia para descobrir o indescobrível.
Puro sentimento e beleza.
Um dia me perguntei e acusei o surrealismo tridimensional nas pinturas de Dali.
Terminei dizendo que os ventos cintilavam seu cinetismo criando o improvável.
Lamentavelmente perdi este poema. Tento lembar e não consigo reproduzi-lo.
Voltemos ao êxtase.


Luna satélite.
Vestes nossa noite despida.
Doado o rubro do amor.
Quando nova - apaga.
Crescente - parte iluminada.
Se cheia, como hoje - redoma deslumbrante.
Se minguas - face oposta a crescente.
Enamoras muitas retinas.
Nos faz saborear o rebento do mar.
Embriagas corações movidos por paixões etéreas.
Cúmplice das emoções.
Luz do negro sertão.
Alimenta aos que tem pouca visão.
Por outro lado embrasa, incendia almas perdidas por desilusão.
A lua é um carretel sem agulhas - não fere, invasiva, serena estrada sem ondulação.
Paixão que devora corações.
Enlouquece os desavisados.
Ergue os enfetiçados.
Rompe ritos, religiões e marés.
La luna é coisa para se observar, calar, lembrar, remover e renovar o q parece natimorto.
Hoje devo dizer que ela me apaixonou!

Lua cheia - transborde nossos corações do mais refinado tecido conjuntivo líquido.

Lua de sangue!

Tony Almeida.





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