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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Barranco.

Que o sertão não vai virar mar. Que lampião não foi esse monstro por pintar. Que meu padinho, padre Cícero foi do Ceará. Que Conselheiro, imposto não queria pagar. Sei que o sertanejo é forte até no pisar.
Sei que o galo canta para anunciar. Sei que a galinha cisca por procurar. Sei que falta água para o sertão não minguar. Sei de tantas histórias - deixa prá lá.
Sei que existe uma estrada de barro por caminhar. Aió nas costas em largo festejar.
Sei até que existe uma sucuri por esguiar. E aquele camaleão que abelhas queria se alimentar.
Sei de tantas coisas do lado de lá. Nunca esqueço do frio delicioso que me fez amar.
Mas o texto é para falar de sentenças e não de amor. Se bem que amar é uma clausura.
Lembro bem da casa, cozinha com fogão de barro, fumaçento. Provável DPOC.
Lembro da varanda, linda, cheia de galinhas passeantes. Milho que meu filho queria jogar!
Lembro da visão por se perder. Fazenda longínqua.Bote longe nisso.Fim do mundo!
Ainda sinto o cheiro das verdejantes pastagens, mandacarus e caborés. Eternos e noctívagos.
Acho graça quando tínhamos que buscar água no Rio do Peixe, que de peixe não tinha nada, para panelas lavar. Se bem me lembro, arriava-se na beira do rio, era mais coerente.Brilha panelas!Saias por levantar!
Devo rir do rio, sem anil, barrancos por ultrapassar, força da mulher sertaneja, inigualável, determinada.
Tinha até o cuidado excessivo do pai dela por botas lustrar. Vaidoso...paquerador, Dom JUAN.
Lá não tinha desperdício, tudo era por se aproveitar. Principalmente comida, fome é de lascar!
Rio quando meus filmes não podia assistir. Sertanejo dorme cedo e só às lutas de Popó prá mudar.
Vejam só. Popó, grande boxer, que Judicael queria ver nocautear. Poucas vezes viu ao vivo o seu massacrar-dormia.Tinha Parabólica, isso já chegou naquelas bandas mais que o mar.
Estranho eu estava entre o rio e o mar. Sou da capital, devo estranhar. Mas adorava esse confronto!
Salvador, Valente, Queimadas, Fazenda Zé João, imensidão por cegar. Bucólico, muito bucólico.
Cuidar do gado, eu não, se bem que até contei quantas tinham por poucas vezes - digamos 523 belas.
O sol era interminável. Como digo: partiam as suturas cranianas.Calota ou calvária.
Não havia fantasmas, era real, foi real. Passou como o rio que lá deixei.
Década se passou.
Agora vejo a amendoeira, sem besteiras por brotar.
Ó flamboyant, sempre lindo, agora sem grotos, pinhões vem me visitar.
Como tudo passa. Barro, vento, cheiro de mato, noite de grilos e sapos, filho por dormitar.
Fases da vida, bela fase, que não devo me queixar.
Não sei se continua como está. DEUS  nos deu um lugar exclusivo, impenetrável, bom para mar.
Passou. Tudo passa.
Como seria bom se pudéssemos continuar.
Cuidar de Lucas e com ele campos conquistar.
Não sofro absolutamente por pessoas.
Sinto a incapacidade humana de consolidar.
Sofreguidão?
Qual nada, respire o ar do sertão!!!

Foram-se os  tempos.

   
                                                               Mas Lucas, cresceu!



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