Eu não queria sonhar, chorar.
Molhar minha face com esse gosto de sal por conservar.
Eu não queria sonhar, beijar.
Seu rosto que amo a me despedaçar.
Eu não queria sonhar, abraçar.
Seu corpo franzino que me faz suportar.
Eu não queria sonhar, conversar.
Falar de Drummond, poesias lhe ofertar.
Eu não queria sonhar, estudar.
Física que não sei, mas posso procurar.
Eu não queria sonhar, ó mar.
Observar seu corpo por navegar.
Eu não queria sonhar, seu silêncio.
Por logo me fazer calar.
Eu não queria sonhar, dói.
Espinho macio que não me faz machucar.
Eu não queria sonhar, crazy.
Enlouquece minha alma e me faz transpirar.
Eu não queria sonhar, meu amor.
Fica distante e não posso tocar.
Eu não queria sonhar, meu menino.
Dócil, justo, sensato que fui desprezar.
Eu não queria sonhar, meu branco.
Cristalino como às águas por chegar.
Eu não queria chorar, vento.
Abrasar suas noites num abraçar.
Eu não queria chorar, sem você.
Sou um orgão em falência por curar.
Eu não queria chorar, mas estou.
Enxugo minhas lágrimas e só continuo a ficar.
Eu não queria chorar, volte.
Só assim a morte vai se afastar.
Eu não posso chorar, seu sorriso me faz suplicar.
Não me deixe chorar, meu filho.
Eu te amo, mesmo que venha a chorar.
Pai.
Antonio César.

Nenhum comentário:
Postar um comentário