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terça-feira, 13 de agosto de 2013

E vai?


O sertão vai virar mar ?
Penitentes e flagelados em bolsões de miséria, faltando uma tijela para fome saciar. Começava a saga dos bravos peregrinos e pequeninos, carregando seus meninos em qualquer ponto povoar.
Procuravam um cantinho, um ninho e como pergaminho suas vidas melhorar. Lá se foram a caminhar.
Dos quatro cantos do Cariri, surgiram algozes analfabetos em forma de protesto uma nova república formar.
Andando mil léguas em solo grotoso , sol picante, água por faltar, roupa esfarrapada, panela vazia na esperança de um Deus à eles libertar.
Quixeramobim em transe pode enviar ao sertão de Canudos um arraial formar.
Todos precisavam de um conselho o que pode vir de lá. Figura emblemática e alegórica que, logo traído, debandou e nos seus sonhos e presságios o sertanejo fez acreditar.
Personagem estranho e famoso, de hábitos ferrenhos a quase não suportar. Braços compridos, tipo longilíneo a se destacar.
Dizia-se "homem-santo" que podia curar. Agregou a miséria da caatinga, achando que podia prosperar e,
em Canudos um belo oásis consolidar.
Conselheiro psicopata ou um caso para se estudar?
Desvairado Antônio que brotou do Ceará, formando no paupérrimo sertão Bahiano um movimento popular.
Melhor que viver nas mãos dos coronéis, aturar o voto de cabresto, fraudes eleitoreiros e seus currais da ganância se formar.
Ás marges do Vaza-Barris, "escravidão" por terminar, juntaram-se raças heterogêneas em êxtase a tudo enfrentar. Morrer de fome, crivado de balas, jogados em valas, em migalhas aos jagunços destronar.
Tentou com seu cajado e armadilhas ao império confrontar. Um Davi que desta vez, não pode ao Golias derrubar. Vinte e cinco mil corpos decapitados, dilacerados, ensanguentados, marginalizados e se passaram
mais de um século e pouco se mudou naquele arraiá.
Hoje já não usam mais o canhão "Matadeira", que fez tanta besteira, mas continuam a se locupletar.
Assim era Canudos.                                                    


   Hoje uma vasta caatinga, de belas riquezas aos seus filhos pouco poder ofertar.
Passado tantos anos, os 'CONSELHEIROS" enganosos, vivem a lhes amordaçar, mantendo viva a
lembrança escrachante daqueles comediantes ao seu voto conquistar.
Não cabe mais guerras estapafúrdias, dissonantes, orquestra por afinar, jagunços, sertanejos, vaqueiros, boiadeiros, homens por chorar.
Revoluções humanas devem ser feitas para a caatinga melhorar - não desrespeitar quem desbrava estrada e mourões para poucos aproveitar.
Paradigmas como o terrível Outubro de 1896 - serve como registro e nos cabe mudar.
Filhos, netos e bisnetos não vão mais virar mar ! A seca a cada dia a piorar !
O sertão deveria ser motivo de honra e orgulho, foi o único que consegui suportar os intempéries climáticos
que, só chuva consegue alegrar.
Chega de hipocrisia. Promessa de homens obtusos, caudilhos e capitães que governam como antigamente
sem compaixão.
Não precisamos de falsos conselheiros, oportunistas ou quem venha profaçar - a terra é de todos e devemos compartilhar, respeitando espaços e heranças para o DIREITO se fazer lograr.
Lamentavelmente o que nos resta é protestar e, com a mesma pujância e força do direito, nossos filhos uma vida digna almejar.
O povo daquela região não é de se gabar, não usam jactâncias, pelo contrário sabem amar.
Os que andam tergiversando, expulsem de lá, o sertão é auto-sustentável é uma questão de se bem olhar.
Tirem as máscaras, cartolas por jogar, vistam o gibão de couro e saiam dos gabinetes e vamos trabalhar.
Ou vamos esperar o sertão virar mar?
O Velho Chico é a solução à enxergar !

Entrada do Parque Estadual de Canudos, há 450 Kms. de Salvador.
Amanda Queiroz





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