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terça-feira, 20 de agosto de 2013

E agora Drummond?


Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Inocência
Sua verve posso não ter.
Sinto sua ausência por não mais escrever.
Por vezes me sinto um JOSÉ.
Se tudo me falta, tu também me faz falta, despretensiosa, só seus versos lê.
Com essa fisionomia de calmo viver, por tantas linhas escrever.
, 
   de Itabira do Mato Dentro, de rebentos e obra poética de imensurável valor.
Levado por contos, ensaios e até aos cegos em braile chegou.
Drummond é aquele avó por se querer ter.
Lord conselheiro em rumo ao meu travesseiro, estava dormindo e não pude ouvir.
Homem de fardos poemas, vernáculos em mares navegar.
Sua e ausência é para se sentir.
Desprezar sua ausência é disseminar a metástase e a poesia adoecer.
Sinto muito não poder lhe resgatar.
Fica uma boa lembrança e nobre exemplo, deste Mineiro, impossível de 
        em nossas memórias não gorjear.
Velho bom, esse Drummond.

                      1902/1987 - Nossos respeitos.



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