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sábado, 5 de julho de 2014

Amanhã é amanhã.




                                                           
                        Certas horas nada importa.
Basta abrir a porta, tomar um cafezinho e desligar-se.
Deixar os sonhos em sono e de "quase" nada lembrar.
Todos suas vidas estão vivendo por aí. Numa mesa de bar,talvez.
Alguns saindo por sair, outros presos na sua consciência.
A depender da agenda, mesmo que falsa, nunca tem tempo.
O tempo continua em cavalgada, passos lentos e pacientes.
Muitos vão desfrutar dos colóquios do amor.
Outros trairão o seu dito grande amor. Quanta mentira!
Risos invadem meu quarto no excesso da tolice ou do álcool.
Quero lê, assistir um filme, descobrir curiosidades - mas nada.
Sinto falta de Lucas e seu sorriso majestoso, menino gostoso.
Falta o colo da mãe, o meu travesseiro que se foi.
O dia continua, "chove - não chove". Instável !
Penso que nos hospitais milhares sofrem terrivelmente.
Lembro do centro de recuperação e o seu silêncio bucólico.
Lá foi muito legal. Encontrei a paz de alguma forma.
É que não gosto de zoadeira, gente presunçosa falando besteira.
Tudo foi passando, o mundo evoluindo, às dúvidas aumentando, enfim...
Descobri que a sociedade procura invariavelmente uma forma de Deuses e respostas.
Nossos conflitos. Ah...como somos conflitantes nesta terra de meu Deus.
Aves dormem, caborés atento ficam.
A mata berra com seus ventos uivantes.
Sons diversificam a sinfonia animal.
Saio na varanda, inspiro e expiro fumaças de cigarro e frio.
Agora gostaria de voar para observar o que fazem os que passeiam nos passeios.
Mas hoje nada mais importa.
Só quero acobertar meu corpo.
Nem lembranças ou saudades sentir.
Estou abstêmico, inadicto, sem amor.
Preciso dormir.
Esquecer.
Porquê hoje nada realmente importa !

Amanhã quem sabe?














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